Quer o supermercado do povo, mas com o teu dinheiro
- A Redistribuição Mágica Que Não Bate Certo
- O Truque da Cláudia Azevedo
- A Melhor Prova Que Tem Contradiz o Seu Próprio Argumento
- O Que Acontece de Facto Quando o Estado Gere Supermercados
- A Estratégia por Detrás do Argumento
- A Proposta Que Não Vai Aceitar
Guilherme Trindade, mais conhecido no X como SexoGratweeto, publicou mais um texto embebido em gosma ideológica na sua Guilhotrina, nome que, convenhamos, diz mais sobre a política do autor do que ele provavelmente pretendia. O título promete uma “alternativa pública ao Pingo Doce”. O que entrega é a mesma proposta gasta que já ouviste centenas de vezes com tipos de letra diferentes: socialismo vestido de preocupação com as famílias trabalhadoras, à espera que o contribuinte pague a conta.
O que torna este texto digno de análise não é a originalidade, não tem nenhuma. Foi escrito em 2022, arquivado, e depois silenciosamente republicado em Novembro de 2025 com algumas actualizações coladas a correr. Oportunisticamente repescado recentemente. Pensa bem nisso. A crise do custo de vida tem estado a esmagar as famílias portuguesas há três anos. Quem pensa seriamente em políticas públicas tem estado a testar novas ideias, a rever hipóteses, a perceber o que funciona na prática. A resposta do camarada a três anos de dados novos foi desenterrar um texto de 2022, acrescentar uns parágrafos sobre a corrida à câmara de Nova Iorque e reembalar tudo para um novo ciclo noticioso. Isso diz tudo sobre a seriedade com que trata isto como proposta política, em vez de exercício de propaganda. Não é uma tentativa séria de resolver o problema. É uma conclusão pré-escrita à espera do momento certo para ser usada.
O argumento que quer que aceites é simples: os supermercados privados são vampiros extractivistas, os seus donos são obscenamente ricos, e por isso uma alternativa pública, liberta do “motivo do lucro”, dispensada de pagar salários milionários a administradores, poderia simultaneamente pagar melhor aos trabalhadores, pagar melhor aos fornecedores e cobrar menos aos consumidores. Diz no subtítulo do próprio texto, com a confiança de quem nunca teve de fazer as contas: “Sem o motivo do lucro, sem ter de pagar salários milionários a administradores e accionistas, é possível subir salários, pagar melhor aos fornecedores ou baixar preços ao consumidor.”
É uma frase sedutora. É também, do ponto de vista aritmético, uma treta, e vamos prová-lo, linha por linha.
A Redistribuição Mágica Que Não Bate Certo
Vamos levar a sério a tese central do Guilherme, já que ele não o faz. Diz que eliminando o motivo do lucro e os salários da administração, um supermercado público conseguiria fazer três coisas ao mesmo tempo: aumentar os salários dos trabalhadores, pagar mais aos agricultores e baixar os preços ao consumidor. Muito bem. Então façamos a pergunta óbvia que ele nunca faz: de quanto dinheiro estamos afinal a falar?
O relatório anual de 2024 do Jerónimo Martins é público. Qualquer pessoa pode lê-lo. O EBITDA do Pingo Doce, resultados antes de juros, impostos, depreciações e amortizações, foi de 296 milhões de euros sobre 5,1 mil milhões em vendas. Uma margem de 5,8%. Não 58%. Nem sequer 15%. Cinco vírgula oito por cento, e ainda assim estamos a falar da medida operacional bruta, antes de contar com o custo do dinheiro, os impostos devidos e a depreciação de uma infra-estrutura física enorme: câmaras frigoríficas, armazéns, frotas de distribuição e 497 lojas espalhadas pelo país. A margem de EBITDA consolidada do grupo caiu para 6,7% em 2024, e o resultado líquido caiu 20,8% face ao ano anterior.
Na Sonae, o braço retalhista MC, que gere o Continente, registou uma margem de EBITDA de 10% sobre 7,6 mil milhões de euros de facturação em 2024. Mesmo assim, não é o que fica no bolso de ninguém. A margem líquida no retalho alimentar, o número real, depois de tudo pago, fica entre 1% e 3% a nível global, segundo dados da Food Industry Association. Sobre os 5,1 mil milhões de euros de receita do Pingo Doce, uma margem líquida de 2% dá cerca de 100 milhões de euros. Parece muito até perceberes que esse dinheiro tem de financiar 497 lojas, dezenas de milhares de trabalhadores, um programa de investimento de 277 milhões de euros só em 2024, uma rede logística e o custo permanente de competir num dos mercados retalhistas mais duros da Europa.
O problema aritmético que o camarada Guilherme se recusa a fazer em público é este: o “gordo bolo de lucros” que quer redistribuir simultaneamente por trabalhadores, agricultores e consumidores representa, em termos líquidos reais, entre 1 e 3 cêntimos por cada euro de vendas. Não existe nenhuma versão das contas em que se aumentem salários e se pague mais aos agricultores e se baixem os preços ao consumidor com essa margem. Seria preciso cortar noutro lado, o que significa cortar algo que diz querer proteger, ou acumular défices, o que significa que o contribuinte tapa o buraco. O que é, claro, o plano real, só que nunca dito assim tão claramente.
Fez uma afirmação arrojada no subtítulo. Não apresentou um único número para a sustentar. Não foi um esquecimento. Se os números confirmassem a tese, estariam no artigo. O que o texto revela, quando olhado de perto, é que o argumento central é uma fraude. Não é apenas falso. É tão falso que o autor não consegue sequer apresentar os números que o refutam, porque isso destruiria a narrativa que quer vender.
O Truque da Cláudia Azevedo
É aqui que o Guilherme deixa de estar simplesmente errado e passa a ser deliberadamente desonesto.
Usa o salário de Cláudia Azevedo, que subiu para 1,6 milhões de euros em 2021, como prova da natureza exploratória do negócio da distribuição alimentar. Invoca a fortuna da família Azevedo, a herança dos Soares dos Santos, os mil milhões acumulados, como prova de que o sistema está amanhado contra as pessoas comuns que vão às compras.
Ele sabe que este argumento é falso. Foi ele próprio que colocou a hiperligação. Sabe ler.
A Sonae não é uma empresa de supermercados. É um conglomerado diversificado com participações relevantes em telecomunicações (NOS), imobiliário comercial (Sierra), electrónica de consumo (Worten), cuidado de animais de estimação na Europa do Norte (Musti) e cosmética ibérica (Druni e Arenal). Só em 2024, a Sonae investiu 1.589 mil milhões de euros no conjunto da carteira, com a Musti, retalhista finlandesa-sueca de animais, a representar 700 milhões desse valor. A fortuna da família Azevedo é o resultado acumulado de décadas de afectação de capital num império empresarial enorme e diversificado, não um dividendo extraído das tuas compras semanais no Continente. Cláudia Azevedo gere um conglomerado de quase 10 mil milhões de euros que opera em vários países e sectores. O seu salário, penses o que pensares sobre ele, não sai da margem do retalho alimentar.
O Guilherme sabia disso quando escreveu o texto. A hiperligação que incluiu, do Dinheiro Vivo, identifica claramente Cláudia Azevedo como CEO da Sonae SGPS, a holding, e não do braço retalhista, ou do Continente. Estabeleceu a ligação na mesma, porque estava a escrever para uma audiência que presumiu não ir verificar. Não é um floreado retórico. É uma atribuição falsa, deliberada, concebida para fazer as margens do retalho alimentar parecerem maiores do que são, passando a fortuna do conglomerado pela peneira de uma única insígnia de supermercados.
O mesmo artifício aparece no tratamento que dá aos herdeiros de Alexandre Soares dos Santos e à fortuna da Jerónimo Martins. A JM é uma multinacional com operações na Polónia, na Colômbia e em Portugal. A Biedronka, a cadeia de desconto polaca, gera cerca de 70% das vendas totais do grupo. A fortuna da família foi construída ao longo de décadas, em vários países, com um modelo de negócio que nada tem a ver com o que seria um supermercado público português. Apontar para a herança dos Soares dos Santos e dizer “é para isto que serve a tua factura do supermercado” não é análise. É propaganda.
E depois há as coimas por cartel. Sim, os supermercados portugueses foram multados por coordenação de preços, ele apresenta os casos. É real e é um problema legítimo. Mas repara no que faz com esse facto: a existência de comportamentos de cartel torna-se justificação não para um reforço da fiscalização da concorrência, mas para a posse pública do sector. Como se a solução para empresas que combinam preços fosse entregar a operação toda à entidade menos susceptível de ser responsabilizada por qualquer das suas decisões. A lógica corre no sentido oposto. As coimas por cartel são um argumento a favor de uma Autoridade da Concorrência mais musculada, não de um supermercado estatal.
A Melhor Prova Que Tem Contradiz o Seu Próprio Argumento
O Guilherme não carece de exemplos. Cita-os. O que torna ainda mais surpreendente o facto de o seu melhor exemplo contradizer directamente a sua própria tese.
A NTUC FairPrice de Singapura, diz-nos ele, é um caso de sucesso: uma cadeia de supermercados não privada, hoje a maior do país, que paga aos seus membros dividendos anuais provenientes de lucros na casa dos vários milhões. Apresenta-o como prova de que uma alternativa ao retalho privado, sem motivo de lucro, pode funcionar.
Lê outra vez. Cita, com aprovação, como prova a seu favor, uma cadeia que gera lucros de vários milhões e os distribui como dividendos aos seus membros. A FairPrice é uma cooperativa. Os seus donos são os trabalhadores. Opera com disciplina comercial. Não pode acumular défices indefinidos porque não tem o Estado como rede de segurança. Tem sucesso precisamente porque mantém as estruturas de incentivo, responsabilização, disciplina financeira, consequências para as más decisões, que a proposta do comunista da internet quer explicitamente eliminar. A FairPrice não é um argumento a favor de um supermercado estatal português. É um argumento contra tudo o que o Guilherme propõe, embutido acidentalmente no próprio texto como citação de apoio.
Se a FairPrice é o seu modelo, então o que deveria defender, e em bom rigor defende em certa medida, é uma cooperativa de trabalhadores com disciplina comercial, objectivos de rentabilidade e responsabilidade perante os membros. É uma proposta completamente diferente de uma empresa pública financiada por défices do Estado. Saberia isso se tivesse pensado no assunto durante dez minutos. O facto de essa distinção não aparecer em lado nenhum do texto diz algo sobre a qualidade do raciocínio por trás dele.
Depois há a jogada da Manutenção Militar, quinze lojas que serviam famílias militares portuguesas, abastecidas pela cadeia de produção própria do exército, a funcionar como anexo logístico do aprovisionamento militar. O Guilherme apresenta isto, sem qualquer pudor, como prova de que o Estado português consegue gerir supermercados.
Um sistema fechado de aprovisionamento. Para uma população cativa. Sem alternativas concorrentes. Abastecido por uma cadeia de produção e armazenamento paralela do exército. Sem formação de preços em mercado aberto. Que acabou por ser extinto. É este o seu suporte empírico.
Citar a Manutenção Militar como prova de conceito para uma cadeia pública nacional de supermercados é como citar a cantina do Ministério das Finanças como prova de que o Estado poderia gerir um império de restaurantes com estrelas Michelin. Não é uma analogia. É um erro de categoria. E é o melhor exemplo histórico que tem.
O Que Acontece de Facto Quando o Estado Gere Supermercados
O historial sobre este assunto não é ambíguo, e dizê-lo não é uma posição ideológica. É simplesmente factual.
A Venezuela nacionalizou os supermercados sob Chávez. A cadeia Bicentenario foi uma bandeira da política de consumo do governo socialista. Em poucos anos, as prateleiras estavam cronicamente vazias, os cidadãos eram racionados a duas visitas por semana com base no número do bilhete de identidade, era necessário registo de impressão digital para comprar bens básicos, e uma ida ao supermercado podia ocupar um dia inteiro sem garantia de encontrar o que se procurava. A cadeia acabou por ser reprivatizada. As lojas estatais cubanas são conhecidas pela escassez, pela ausência de variedade e pelo tipo de degradação institucional que se acumula quando ninguém tem qualquer incentivo para melhorar coisa alguma.
Estes casos constam da própria lista de países com supermercados públicos que o Guilherme cita em adenda. Menciona a Bielorrússia, a Bolívia, Cuba, a Gronelândia, o Irão, o Sri Lanka, o Vietname. Apresenta esta lista como prova de normalidade, vejam, outros países também o fazem! Não menciona como é de facto fazer compras na maior parte desses países, porque isso furava o argumento. A Gronelândia opera lojas públicas em comunidades árticas remotas onde nenhum operador privado sobreviveria, não é uma comparação que favoreça a proposta. A Bielorrússia é uma ditadura. Cuba é uma ditadura. A lista de países com retalho alimentar estatal não é uma lista de lugares em que alguém pensaria para desenhar a política alimentar portuguesa.
Nos Estados Unidos, onde vários municípios tentaram isto em pequena escala, os resultados têm sido consistentemente maus. Erie, no Kansas, comprou o único supermercado da localidade em 2020 para evitar o fecho. Em Setembro de 2024, citando custos de exploração insustentáveis, cedeu-o de volta a um operador privado. No Illinois, seis lojas abriram em zonas carenciadas com apoio público, quatro tinham fechado em 2024. Não são falhanços ideológicos. São falhanços operacionais, em pequenas localidades, sem concorrência significativa, no único contexto em que uma opção pública é porventura mais justificada. E mesmo assim não conseguiram fazê-lo funcionar.
Os governos são estruturalmente maus a gerir retalho. São maus a gerir. Não é uma posição de direita. É uma realidade organizacional. O retalho, o retalho alimentar real, o que mantém 497 lojas abastecidas em todo o país, ajusta preços semanalmente, gere relações com fornecedores em centenas de referências, responde em tempo real a alterações no comportamento dos consumidores, absorve o risco de desperdício e as variações sazonais da procura, exige uma velocidade de decisão e uma estrutura de consequências que as instituições políticas não conseguem replicar. Os funcionários públicos não são piores pessoas do que os gestores privados. São pessoas que operam num ambiente de incentivos diferente, com ciclos de retorno diferentes, consequências de carreira diferentes para o insucesso, e sem nenhum mecanismo que force a operação a ser eficiente ou a morrer.
Retira o motivo do lucro e não liberas a margem. Retiras o único mecanismo que a torna real.
A Estratégia por Detrás do Argumento
Nada do que ficou dito deve ser lido como defesa acrítica do retalho alimentar português. Não é. A fiscalização da concorrência devia ser mais exigente. As barreiras regulatórias à entrada de novos operadores são reais e merecem atenção. Há questões legítimas sobre assimetrias de poder na relação com fornecedores, sobre condições laborais, sobre como as restrições urbanísticas limitam a concorrência nos mercados urbanos.
Mas a proposta do camarada Guilherme não toca em nada disso. Não é uma proposta de reforma do mercado. Não sugere reforçar a Autoridade da Concorrência. Não propõe reduzir barreiras à entrada. Não aborda a questão de por que razão os preços no retalho alimentar português são o que são, para além da afirmação circular de que a propriedade privada é a causa. É uma proposta de expansão do Estado vestida com roupa de reforma de mercado, e a roupa é fina.
Por trás dela assenta uma ideologia que nunca se anuncia directamente: a premissa de que o lucro é inerentemente extractivo, que retirar o dono privado produz necessariamente um resultado melhor, e que o Estado deve ser o actor económico principal em qualquer sector considerado essencial. A alimentação é essencial, logo o Estado deve geri-la. A habitação também. A banda larga também. As farmácias também. A lista não tem fim natural, porque a ideologia não tem fim natural. Tem uma direcção.
E aqui está a parte estratégica que importa: o Guilherme sabe que esta proposta não vai passar em Portugal no próximo ano, nem no seguinte. Não é esse o ponto. O ponto é deslocar a janela de Overton, fazer com que a posse estatal do retalho comercial pareça uma opção de política razoável e digna de debate, em vez de uma ideia desacreditada com um historial catastrófico. Publica em 2022. Republica em 2025, quando as pessoas estão irritadas com as contas do supermercado. Consegue citações, partilhas, discussão. Aguarda o próximo pico inflacionista. Publica outra vez. Uma vereadora do Bloco de Esquerda dá uma entrevista na TSF. Lá vem mais uma repescagem.
Não é jornalismo. Não é análise de políticas públicas. É condicionamento político de longo prazo, e é eficaz precisamente porque o núcleo emocional (famílias a lutar para pagar as compras, executivos a ganhar milhões) é real e legítimo, ao passo que a solução proposta não é nem uma coisa nem outra.
A Proposta Que Não Vai Aceitar
Eis o desafio que o Guilherme, ou os seus aliados, nunca vai aceitar.
Se genuinamente acreditas que um supermercado liberto do motivo do lucro, que paga salários de mercado, que compra a agricultores locais a preços justos e que vende aos consumidores mais barato é um modelo viável e superior, então constrói um. Não com dinheiro público. Com capital privado. Cria uma cooperativa. Procura investidores que partilhem os teus valores. Assina uma renda real, paga impostos reais, enfrenta concorrência real. O modelo cooperativo existe. O Rizoma, que ele cita com aprovação, está a fazer algo nesse espaço. Se a proposta é tão obviamente correcta como o subtítulo do teu texto afirma, o mercado para uma operação retalhista ética, eficiente e gerida pelos trabalhadores devia ser enorme. Os consumidores portugueses frustrados com o Continente e o Pingo Doce são exactamente o público-alvo. Eu seria cliente.
Não vai fazer isso, e o ecossistema político que produz argumentos como o seu também não, porque não estão genuinamente interessados no risco. Estão interessados no princípio, concretamente, no princípio de que o Estado deve possuir e explorar empresas comerciais, e que deves, o contribuinte, absorver os prejuízos quando não funciona. A cooperativa, por mais apelativa que seja, exige que alguém ponha o seu próprio dinheiro e aceite as consequências se falhar. É essa a parte da economia de mercado de que não gostam: não o lucro, mas a responsabilização.
O supermercado público vai sempre precisar do dinheiro de outras pessoas (os outros também, mas obtido de formas diferentes…). Não porque seja mal concebido, embora o seja, mas porque não consegue sobreviver sem o subsídio que é a sua premissa real. Cada euro que perde é um euro retirado a um contribuinte português que não votou nisto, que pode não ter condições para o suportar, e que nunca será compensado quando o projecto for silenciosamente encerrado por um futuro governo que achar o défice politicamente inconveniente.
Isso não é solidariedade. Não é compaixão pelas famílias que lutam para pagar as compras. É uma má ideia, vestida na linguagem da justiça, uma sinalização de virtude, reciclada de 2022, publicada num substack com uma mascote simpática, concebida para te fazer sentir que o problema é a propriedade privada em vez dos falhanços de política reais, resolúveis e nada glamorosos, na lei da concorrência, no urbanismo, no desenho dos subsídios, sobre os quais uma pessoa séria estaria a escrever.
O Guilherme não é uma pessoa estúpida. É uma pessoa a fazer um argumento desonesto, deliberado. Há uma diferença, e ela importa, porque os argumentos desonestos feitos por pessoas inteligentes são os mais perigosos. São os que sobrevivem tempo suficiente para se tornarem política.
Este, o argumento, não devia sobreviver.
Fontes:
- Resultados Anuais Sonae 2024
- Relatório Anual Jerónimo Martins 2024, Pingo Doce
- Resumo de Resultados Jerónimo Martins 2024
- Food Industry Association, Margens Líquidas no Retalho Alimentar
- Supermercado Público, Wikipédia
- Jerónimo Martins, Wikipédia
- O Problema com os Supermercados Geridos pelo Estado, No Labels
- Os supermercados estatais são um fracasso épico, Boston Globe
- O texto original da Guilhotrina
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