Uma farsa chamada "futebol"
Introdução
Parte da população se encontra incapaz de analisar o futebol por além do campo, ou mesmo por além da mídia, não possuem também capacidade de observar os processos racionais de decisões dos jogadores sobre seus projetos de carreira fora do que é vazado pela imprensa, não observam os jogadores como atletas somente, mas como subcelebridades sem que saibam. É claro que esses fatores danificam quaisquer análises sobre as recentes decisões de ícones do futebol em determinadas decisões tomadas em suas carreiras, no caso falamos sobre decisões baseadas em fugas dos holofotes da Europa e rumos ao mundo árabe e à América do Norte, quando não, à América do Sul como um destino alternativo já não tão rentável.
Vamos sintetizar de forma prática à reação do público que consome o futebol, dizem uns de acordo com o que se mostra nesse thread do X:
https://twitter.com/oocbrsao/status/1690756075790716928?s=20
O mesmo se dá à Cristiano Ronaldo, Messi, Benzema, Fabinho, Mendy (goleiro), Sérgio Busquets, Cavani, James Rodrigues, Lucas Moura e outros que rumaram do principal palco do futebol espetacularizado no mundo e tomaram rumo aos mercados alternativos do futebol, vemos assim que os fãs do esporte cometem o erro de praticarem reducionismos e crer que o único motivo pelo qual jogadores decidem sair da Europa é o dinheiro, porém esse ensaio existe para provar que todos são enganados por essas impressões, ou seja, será aqui mostrado que o problema é mais profundo do que aparenta.
O palco do futebol de alta prateleira é na Europa, mas não é europeu
Dos últimos campeões e finalistas da UEFA Champions League, desde 2013, apenas o Bayern de Munique possui parcial controle por parte de grupos financeiros europeus como acionistas majoritários e gerência autônoma europeia, alemã no caso, por se tratar de um clube que adota um modelo cooperativo, os demais clubes ou são geridos por grupos financeiros estrangeiros, ou árabes (a exemplo do Manchester City, gerido pelo City Group, e campeão da temporada 2022/2023), ou chineses (caso do finalista da UCL 2022/2023, Internazionale Milano, gerido pelo Suning Holding Gruop) ou norte-americanos (caso do Liverpool no momento que conquistou a “orelhuda” da temporada 2018/2019, o grupo que até agora gere o clube é o Fenway Sports Group), e quando não são geridos possuem pelo menos grupos e corporações estrangeiras como acionistas majoritários, uma menção contestável é a do Real Madrid, que por mais que não seja gerido por grupos estrangeiros ou tenham como maior acionista um grupo ou corporação não-europeia, o maior acionista é o presidente Floriano Perez através do Grupo ACS, é um time (equipe) internacional, possui um elenco composto majoritariamente por jogadores oriundos de fora da Espanha, parte considerável desses jogadores nem mesmo são oriundos (jus sanguinis) do continente europeu, o que não é um problema, mas exemplifica o fato de que o que chamamos de futebol europeu, na prática, é futebol internacional em solo europeu.
A despeito das seleções, uma França cosmopolita multiétnica, mais afro do que euro, após ter sido campeã em 2018, seguiu-se numa final de mundial, já como vice-campeã, derrotada por uma Argentina cujo grande parte do elenco atuava e atua ainda além das fronteiras argentinas, observamos que o elemento nacional é apenas simbólico, não mais tão profundo, a nacionalidade está presente somente nos símbolos da camisa e dos escudos das entidades, mas ainda sobre o evento do mundial de 2022 percebamos que vimos uma Copa do Mundo Catar 2022, e nela presenciamos questionamentos sobre as torcidas locais presentes, não havia brio, não havia paixão, claro que não foi uma surpresa pois convenhamos que os árabes e os persas não são chegados na redonda, o gosto deles é por corrida de cavalo, corrida de camelo e caça esportiva, talvez as grandes exceções sejam por parte dos egípcios, tunisianos e marroquinos, porém cá trata-se da exceção, não da regra, tal como os venezuelanos e guianeses são mais chegados no baseball e no críquete do que na pelota no continente do futebol, é estranho ver toda a formação de um marketing farsesco de “crescimento do esporte” na região, não é intragável observar jogadores de futebol, ao ingressar nesse novo mundo do futebol performático artificial de locais marginais à cultura da bola, utilizarem do código “sonho” para alimentar justificativas ao público, e convenhamos também que o problema na ida desses jogadores para o mundo árabe e para os Estados Unidos não é a escolha que tomam, mas a vergonha de prestarem descomprometimento com a verdade e com seus torcedores, e a verdade é: as escolhas são baseadas no fator financeiro, e não em um “projeto” de avanço do esporte na região.
O motivo pelo qual querem os detentores da máquina do esporte buscam levar o futebol para esses locais é unicamente propagandístico e mercadológico com a finalidade de lucro e expansão do poder, o povo local recebe esse atrativo como algo exótico e diferente de seu gosto cultural, como tão aclamado pelo centro global do mundo ainda unipolar e regido pelo dinheiro ocidental o futebol é uma peça perfeita de propaganda para sinalizar abertura política e econômica ao mundo, e também, mostrar-se apto para receber investimentos desse mundo regido pelo dinheiro ocidental, assim expõe-se por essa óptica o futebol espetacularizado como uma grande farsa regida por gênios capazes de montar um teatro performático com poder de até mesmo de mover olhares e diferenciar a noção prática do que de fato existe nesses países, no caso do mundo árabe uma civilização que cresce economicamente mas que ainda padece de determinadas liberdades alinhadas à dignidade humana, e no caso do mundo norte-americano observa-se os Estados Unidos de maquiagens que joga para debaixo do tapete seus problemas sociais e abusos na política internacional.
O esporte, ao receber grande aporte de dinheiro para uso como soft power, perde sua inocência lúdica e se torna numa ferramenta baseada em venda de ilusões, e nesse grande mercado de sonhos observamos crianças tendo como grandes ídolos jogadores que são assalariados para serem ícones, mas nada se difere ao mundo fantasiado de falsos ídolos quais estamos habituados, as mesmas crianças crescem, tornam-se adolescentes, passam a ter “artistas” igualmente fraudulentos como ídolos, ao crescerem tornam-se adultos vazios que prestam reverências aos políticos igualmente fraudulentos, e a sociedade da propaganda, ao contrário de ter se esgotado, avança em um ritmo de desesperanças.
O que está atrás das escolhas dos jogadores
Este tópico age em reparação ao anterior, que critica os abusos da propaganda e da imagem fantasiada sobre o futebol, observa-se que este tópico não se restringe ao futebol, pois bem, não entendam como indignante a escolha de preferência ao dinheiro do que à fama, ao renome e ao status de atuar no grande centro do futebol mundial, somente os apaixonados pelo renome seriam capazes de abdicar um valor de R$2,5mi por dia para lutar em busca de ser mais um nome na história do esporte. O que impressiona no momento é o reducionismo explicativo para as decisões dos atletas em tomar tais rumos, parte da população ainda não percebeu que esses fatores de decisões não advém de uma natureza ambiciosa e mercenária dos atletas, mas que também advém de questões políticas e econômicas envolvendo as instabilidades dos países europeus.
A Europa como conhecemos acabou, presenciamos até agora uma exceção na história, uma Europa rica que será corrompida até a última gota, a fim de ser então destruída por uma elite parasitária que se apoderou dela e tomou seus Central Business Districts como redes de poder, os países estão dando entrada numa grande crise vindoura, não haverá mais comodidades com nações inteiras adentrando o colapso, a exemplo de uma França a beira da guerra civil e de uma Alemanha com grandes dificuldades econômicas influenciadas por políticas da Rússia a frente das operações militares na Ucrânia, a Europa perde poder progressivamente e esse fato foi escancarado com as guerras por procurações iniciadas na África, somada à revolta de países africanos contra os abusos europeus no continente, como exemplo do que ocorre nesse momento no Níger.
Dado o conhecimento sobre as instabilidades na Europa permanece o questionamento: quem é o louco que irá investir lá nesse exato momento? Não há quem tenha tamanha loucura contida em seus projetos, por evidente é lógico que os investidores árabes e norte-americanos levem suas joias especulativas para um campo seguro de investimento, e assim os jogadores passam a se preservar em simultâneo aos planos de investidores, é lógico que a retirada de holofotes no futebol europeu é uma necessidade urgente para a conservação de patrimônio por parte dos investidores. Essa questão jamais será abordada na grande mídia mainstream, pois claro, para a espetacularização do futebol de forma fantasiada e ilusória é crucial manter horas e horas de debate sobre se jogadores são ou não são mercenários em suas tomadas de decisões, sem expor os reais chefetes do dinheiro que faz o esporte ser uma verdadeira máquina especulativa de lucro.
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