Mossad e o caso John F. Kennedy
Uma das coisas às quais JFK se opunha era o Conselho Sionista Americano, que mais tarde se tornariam a AIPAC (ainda há discussões hoje sobre a influência indevida da AIPAC nas eleições americanas.)
O Departamento de Justiça de JFK disse a eles que precisavam se registrar como agentes estrangeiros sob a Lei FARA.
Imagine que eu apareço na televisão dizendo que os Estados Unidos deveriam apoiar militarmente a Ucrânia, talvez até entrar em guerra para defendê-la.
Você poderia pensar: “Essa pessoa realmente acredita nisso por motivos estratégicos ou morais.”
Mas então você descobre que eu estou registrado na FARA como agente que trabalha para a Ucrânia.
E que, além disso, recebo dezenas de milhões de dólares de instituições ou do governo ucraniano para promover posições favoráveis ao país.
Nesse momento você provavelmente pensaria:
“Ah, agora faz sentido. Você está defendendo que entremos em guerra pela Ucrânia, mas também está sendo pago pela Ucrânia.”
Esse é exatamente o objetivo da FARA: garantir que o público saiba quando alguém que tenta influenciar a política ou a opinião pública nos EUA está sendo financiado por um governo estrangeiro.
Se tudo o que você precisa fazer depois de se registrar na FARA é revelar seus gastos, revelar como está sendo financiado, permitir que as pessoas entendam de onde vem esse dinheiro, por que eles se oporiam tanto a isso?
Eu não sei a resposta para isso, nunca saberei, porque o que sabemos é que algumas semanas depois JFK foi assassinado.
E o que acontecia paralelamente…
John F. Kennedy era fortemente contra o desenvolvimento de armas nucleares por Israel através do reator de Dimona. Ele considerava a proliferação nuclear um “pesadelo pessoal” e pressionou intensamente o governo israelense para permitir inspeções americanas no local.
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Kennedy exigiu, em 1963, que líderes israelenses permitissem visitas técnicas dos EUA a Dimona para garantir que não estava sendo usado para fins militares.
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Ele trocou cartas tensas com o então premiê David Ben-Gurion, alertando que o apoio dos EUA a Israel poderia ser seriamente comprometido se o reator não fosse inspecionado.
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A administração Kennedy desconfiava das garantias israelenses de que o reator era apenas para pesquisa pacífica, acreditando que Israel estava enganando os EUA para adquirir armas nucleares.
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De todos os líderes americanos na era nuclear, Kennedy foi considerado o mais focado em evitar a proliferação, tornando a questão de Dimona uma prioridade pessoal
https://www.nexojornal.com.br/expresso/2025/06/28/israel-programa-nuclear-historia-segredos
Isso é algo que você pode encontrar até em discursos, como o discurso de Gaddafi:
“Nós deveríamos abrir os arquivos. O que nós sabemos e o que o mundo inteiro sabe é que Kennedy queria investigar o reator nuclear israelense de Dimona. Há uma bomba nuclear ou não? E por causa disso, eles se livraram dele.”
https://video.nostr.build/df6121352e49d4c5013dce802e49308ab8aef4ce0dd5a890133a04c43da1dd50.mp4
Quando você junta essas duas coisas, você pensa: “Certo, seria uma conspiração sugerir que Ben-Gurion e o Estado de Israel o odiavam, que ele (JFK) era contra eles, contra o financiamento que recebiam e contra a influência indevida que exerciam na política americana?”
E então ele morre. E você compara isso com o fato de que o problema para eles desapareceu instantaneamente assim que JFK morreu. Porque o que aconteceu foi que, quando Lindsey B. Johnson assumiu o cargo (ele era vice-presidente), todos os problemas foram resolvidos imediatamente, pois ele mudou completamente o rumo de tudo.
Além de tudo isso… James Jesus Angleton, um dos oficiais fundadores da CIA e chefe de contrainteligência por duas décadas, teve relações profundas com a Mossad e o estado de Israel. “Embora seu nome apareça em poucos livros de história sobre Israel, Angleton desempenhou um papel crucial nos primeiros anos do jovem Estado judeu. Nas décadas de 1950 e início de 1960, quando a maior parte do governo em Washington desconfiava — ou mesmo se mostrava hostil — a Israel, ele ajudou a forjar laços entre o Mossad e a CIA, estabelecendo as bases para a cooperação na coleta de informações que persiste até hoje.”
Fonte: archive.is/4LnQs
Sobre a FARA:
A FARA (Foreign Agents Registration Act) é uma lei dos Estados Unidos criada em 1938 para exigir transparência quando alguém atua politicamente em nome de interesses estrangeiros dentro do país.
Em termos simples, ela determina que pessoas ou organizações que trabalham para governos estrangeiros, partidos estrangeiros ou entidades estrangeiras para influenciar política ou opinião pública nos EUA devem se registrar no governo americano como “agentes estrangeiros”.
Esse registro é feito no Departamento de Justiça dos Estados Unidos.
Quem se registra na FARA precisa revelar, por exemplo, quem é o cliente estrangeiro (governo, empresa, organização etc.), quanto dinheiro recebe, que atividades realiza (lobby, campanhas de mídia, consultoria política etc.), gastos e comunicações feitas para influenciar política ou opinião pública.
Ou seja, a lei não proíbe trabalhar para interesses estrangeiros, ela exige transparência.
A ideia principal é que o público e o governo saibam quando uma mensagem política pode estar sendo financiada por outro país.
Por exemplo: se um comentarista defende fortemente políticas favoráveis a um país estrangeiro, mas recebe dinheiro desse país. A FARA exige que isso seja declarado publicamente.
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