A Presença Judaica em Hollywood
- I. Um Fato Histórico Bem Documentado
- II. Os Fundadores
- III. Por Que Isso Aconteceu
- IV. Judeus que Apagaram os Judeus da Tela
- V. Henry Ford e o Uso Político do Fenômeno
- VI. A Era HUAC e a Lista Negra
- VII. A Continuidade Contemporânea
I. Um Fato Histórico Bem Documentado
A participação decisiva de judeus na fundação de Hollywood não é uma teoria ou interpretação, é um fato histórico de ampla aceitação acadêmica, documentado por historiadores judeus e não-judeus, e reconhecido pela própria indústria. Em 2024, o Academy Museum of Motion Pictures inaugurou uma exposição permanente intitulada “Hollywoodland: Jewish Founders and the Making of a Movie Capital”, descrita como “a exposição que destaca o profundo impacto dos cineastas predominantemente judeus cuja criação do sistema de estúdios americano transformou Los Angeles no epicentro global do cinema.”
II. Os Fundadores
Muitos dos homens que criaram Hollywood eram judeus. Adolph Zukor, um dos três fundadores da Paramount Pictures, era um judeu da Hungria. William Fox, também húngaro, fundou a Fox Film Corporation. Louis B. Mayer, nascido na Rússia, co-fundou a Metro-Goldwyn-Mayer com Marcus Loew, cujos pais eram da Áustria. A Warner Bros. foi fundada pelos irmãos Warner — Harry, Albert, Sam e Jack, três deles nascidos em Krasnosielc, na Polônia. Com David Sarnoff, judeu russo que fundou a RKO, esses foram os cinco grandes estúdios da Era de Ouro de Hollywood. Além disso, dois dos três estúdios menores da época — Universal Pictures e Columbia Pictures — foram fundados e dirigidos por judeus. Carl Laemmle, um dos fundadores da Universal, era judeu alemão de Laupheim; Harry e Jack Cohn, junto com Joe Brandt, eram judeus nova-iorquinos que fundaram a Columbia.
Em síntese, o quadro dos estúdios maiores na Era de Ouro era o seguinte:
| Estúdio | Fundador(es) | Origem |
|---|---|---|
| Paramount | Adolph Zukor | Hungria |
| MGM | Louis B. Mayer, Marcus Loew, Samuel Goldwyn | Rússia/Ucrânia, Áustria, Polônia |
| Warner Bros. | Harry, Albert, Sam e Jack Warner | Polônia/Canadá |
| Fox / 20th Century Fox | William Fox | Hungria |
| Universal | Carl Laemmle | Alemanha |
| Columbia | Harry e Jack Cohn, Joe Brandt | Nova York |
| RKO | David Sarnoff | Rússia |
Schmuel Gelbfisz nasceu em Varsóvia em 1879, chegou a Nova York em 1899 e mudou seu nome para Samuel Goldwyn em 1918. Lazar Meir nasceu na Ucrânia e co-fundou a MGM em 1924. Wilhelm Fried Fuchs, nascido na Hungria, tornou-se William Fox.
Portanto, de forma documentada, virtualmente todos os grandes estúdios de Hollywood foram fundados por judeus emigrantes da Europa Central e Oriental, na maioria asquenazitas vindos do Império Russo ou do Império Austro-Húngaro.
III. Por Que Isso Aconteceu
A questão mais importante do ponto de vista científico não é apenas o que aconteceu, mas por que aconteceu.
A. A Exclusão Sistemática de Outros Setores
Durante aqueles primeiros anos em Los Angeles, muitos judeus da Europa Oriental haviam emigrado para os Estados Unidos e eram atraídos pelas oportunidades no nascente negócio do cinema, porque haviam sido excluídos de muitas outras profissões. Escritórios de advocacia tradicionais haviam banido judeus. Hospitais de elite não contratavam médicos judeus.
A indústria cinematográfica não era uma delas. Os obstáculos encontrados em outras profissões não estavam presentes no cinema. As estruturas de poder estabelecidas (bancos, universidades de elite, grandes firmas de advocacia, medicina de prestígio) estavam fechadas aos imigrantes judeus.
B. O Cinema como Setor sem Tradição Estabelecida
Crucialmente, o cinema era uma indústria completamente nova no início do século XX. Não havia aristocracia empresarial estabelecida, não havia Harvard ou Yale do cinema, não havia velhas famílias controlando o setor. Era um campo aberto à iniciativa e ao risco, exatamente o tipo de ambiente em que imigrantes com capital social limitado mas com capacidade empreendedora podiam prosperar.
Muitos desses judeus americanos vieram do vaudeville e do comércio de roupas, dois setores notoriamente receptivos aos judeus. O vaudeville havia treinado uma geração inteira de empreendedores do entretenimento, criando um fluxo natural de talentos e conhecimento administrativo para o cinema.
C. A Tese de Neal Gabler
O estudo mais influente sobre o tema é o livro de 1988 do historiador Neal Gabler, An Empire of Their Own: How the Jews Invented Hollywood. A tese principal de Gabler é que esses produtores geralmente vinham de origens pobres, sem figura paterna forte, e se sentiam forasteiros na América por causa de sua condição judaica. Em Hollywood, esses produtores eram capazes de administrar sua própria indústria, assimilar-se à corrente principal americana e produzir filmes que realizavam sua visão do Sonho Americano.
Para Gabler, os judeus de Hollywood, “ao criar sua América idealizada na tela, reinventaram o país à imagem de sua ficção”; eles “colonizaram a imaginação americana.”
Este é um ponto de grande sutileza histórica: os fundadores judeus de Hollywood não produziram cinema judaico. Pelo contrário, produziram cinema deliberadamente americano, muitas vezes excluindo representações de judeus.
IV. Judeus que Apagaram os Judeus da Tela
Enquanto uma sensibilidade judaica distinta informava escolhas de direção, roteiro e produção, os moguls judeus mantiveram histórias e rostos abertamente judeus fora das telas por muitas décadas. Por quê? O curador da exposição Dara Jaffe explica: “Eles temiam que essa indústria fosse arrancada de suas mãos.” O historiador Gabler complementa: “O medo é uma das grandes forças motrizes. Eles eram extremamente sensíveis a como podiam perder sua indústria.”
Louis B. Mayer, por exemplo, alegava que 4 de julho de 1776 era seu aniversário, para simbolizar integração patriótica. Filmes frequentemente apresentavam rituais não-judeus, como cenas de Natal em produções da MGM, apesar das origens dos fundadores, sublinhando um compromisso com a conformidade cultural.
Muitos judeus mudaram seus nomes étnicos para soar menos judeus: Emanuel Goldenberg tornou-se Edward G. Robinson; Issur Danielovitch Demsky tornou-se Kirk Douglas; Nathan Birnbaum tornou-se George Burns. Outros que mudaram seus nomes incluem Betty Joan Perske (Lauren Bacall) e Bernard Schwarz (Tony Curtis).
V. Henry Ford e o Uso Político do Fenômeno
Henry Ford acusou judeus de tramar a dominação de indústrias americanas como Hollywood, agricultura e distribuição de bebidas alcoólicas. Ford usou seu jornal, The Dearborn Independent, para difundir ideias conspiracionistas sobre o poder judeu sobre a política mundial, a economia, a mídia e outras esferas da sociedade. O jornal atingiu circulação de 900.000 exemplares.
Adolf Hitler mantinha cópias de The International Jew e um grande retrato de Ford em seu escritório em Munique, considerando Ford uma inspiração.
VI. A Era HUAC e a Lista Negra
Durante a Guerra Fria, a presença judaica em Hollywood tornou-se novamente alvo político. Seis dos dez membros do “Hollywood Ten” que se recusaram a responder ao Comitê de Atividades Antiamericanas (HUAC) eram judeus. O congressista Rankin, antissemita declarado, referiu-se a atores judeus pelo seus nomes de nascimento, “expondo” suas origens.
Os executivos judeus foram extremamente sensíveis ao risco de perder sua indústria, e cederam seu próprio poder durante o período da Lista Negra. — uma das ironias mais trágicas do período: os judeus que haviam construído Hollywood viram-se coagidos a demitir e silenciar seus próprios colegas.
VII. A Continuidade Contemporânea
A presença judaica em Hollywood permaneceu significativa além da geração fundadora, embora o cenário tenha mudado estruturalmente. Eventualmente, a primeira geração de executivos judeu-americanos se aposentou ou faleceu. Seus sucessores enfrentaram uma indústria em transformação. Na década de 1960, os estúdios foram vendidos a grandes corporações.
Sobre o presente, os dados existentes são fragmentados mas indicativos. A revista 60 Minutes investigou o assunto e sua pesquisa mostrou que “apenas” cerca de 60% dos cargos de topo em Hollywood eram ocupados por judeus, dado considerado significativo dado que judeus representam cerca de 2,5% da população americana. O escritor e roteirista Ben Stein, conservador judeu, confirmou que tal concentração era muito superior à proporção demográfica.
Diretores como Steven Spielberg, Stanley Kubrick, Woody Allen, Mel Brooks, Joel e Ethan Coen, J.J. Abrams e Rob Reiner são alguns dos nomes mais identificados com o cinema americano moderno, todos de origem judaica. Na produção e roteiro, a lista é igualmente extensa.
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