Evolução do mercado imobiliário
Como estamos a comemorar os 50 anos do fim da ditadura (1974) e início da democracia, PorData criou [várias infográficas](https://www.pordata.pt/cinco-decadas-democracia-em-portugal) muito interessantes:

A infográfica faz a comparação dos números de habitações entre 1970 e 2021. A ideia inicial foi comparar como era Portugal na fase final da Ditadura, com Portugal na atualidade, mas nós podemos fazer uma interpretação diferente, comparar como era no Padrão ouro com o padrão FIAT, 1970 foi o último ano do padrão ouro.
A meu ver, destacam-se dois pontos, o número total de casas duplicou e houve um forte aumento da 2ª habitação.
No mesmo período de tempo, a [população residente em Portugal](https://www.pordata.pt/portugal/populacao+residente+total+e+por+grupo+etario-10) aumentou 20%.
Apesar do número de casas de 1º habitação ter aumentado 84% mas a população apenas aumentou 20%, mesmo assim estamos a viver a maior crise de falta de habitação do último século. Uma das justificativas é que as [famílias estão mais pequenas](https://www.pordata.pt/portugal/agregados+domesticos+privados+total+e+por+tipo+de+composicao-19), o número de famílias monoparentais é muito superior, isso faz que sejam necessárias mais casas.

A imigração também foi um factor que ajudou no aumento na procura.
Mas o que foi mais surpreendente, é o aumento de casas de 2ª habitação, aumentou 1300%, de 81 mil para 1 milhão de casas. As pessoas estão a utilizar as casas como uma reserva de valor.
Uma parte são os filhos que herdam as casas, em vez de venderem, preferem ficar com uma segunda habitação, porque preserva melhor o valor. Pelo mesmo motivo, outra parte de proprietários, são pessoas que têm algum capital e preferem investir em casas do que ter o dinheiro parado nos bancos.
O fim do padrão ouro criou este sistema enviesado, porque as pessoas não querem ter dinheiro, preferem investir em algo que preserva melhor o valor, os portugueses preferem comprar casas.
Este dados são de 2021, certamente já estão desatualizados, porque nos dois últimos anos a crise agravou muito mais.
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